A Assembleia Municipal de Aveiro aprovou esta quarta-feira à noite o reconhecimento de interesse municipal e isenção de IMI e IMT a um projecto de investimento da Navalria – Docas, Construções e Reparações, S.A., adquirida o ano passado pela Martifer, através da Martifer Energy Systems, por 4,5 milhões de euros, que agora pretende desenvolver um projecto de 7,5 milhões de euros para a construção de equipamentos para a exploração da energia das ondas.
A votação contou apenas com os votos contra do Bloco de Esquerda e a abstenção do PCP, enquanto o PS, PSD e CDS votaram a favor, pela relevância do projecto.
Os socialistas deram o benefício da dúvida em termos de, no futuro, a Câmara dar mais informação da proposta apresentada à Assembleia. Para o PCP, o interesse «não foi demonstrado».
Para o Bloco de Esquerda, é uma forma de «perdoar impostos» e um «roubo ao que é público».
Esta declaração fez levantar Pires da Rosa, do PS, e João Carlos Valente, do PSD. Se é um «roubo», o BE deve apresentar queixa em Tribunal, segundo Pires da Rosa e para o social-democrata é inadmissível o BE «chamar ladrões» aos que aprovaram a proposta da Câmara. «Peço que não voltem a ofender a honra de todos».
A aprovação na Assembleia seguirá para a Martifer que a adicionará ao processo de candidatura junto da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), citado pelo Jornal de Negócios, a MARTIFER revela que comprou 96,79% do capital da Navalria – Docas, Construções e Reparações Navais por 4,6 milhões de euros.
“Com esta aquisição, a Martifer garante os meios para a construção de equipamentos para a exploração da energia das ondas, tecnologia que actualmente está a desenvolver, estando prevista a construção do protótipo durante 2008”, esclarece a Martifer no mesmo comunicado.
O objectivo da Martifer é ter o protótipo no mar ainda este ano “e demonstrar a viabilidade comercial da geração de electricidade utilizando a energia das ondas”. O sistema em desenvolvimento é flutuante e será colocado em águas com pelo menos 50 metros de profundidade. A potência instalada deste protótipo é de 1,2 “mega watts”.
A Martifer assegura ainda a continuidade da actividade de reparação naval actualmente desenvolvida pela Navalria e refere ainda que no futuro pretende desenvolver as suas próprias instalações.

